memórias da Esfinge


Os cabelos crescem, os cachos aparecem. Minha identidade camaleoa revela tantos eus que às vezes é difícil até para mim acompanha-los. Seria mais fácil traduzi-los e torna-los um só? Se assim fosse, perderia toda essência que a mim cabe. Você sabe, um sorriso a menos é azar demais. Um vestido a mais é a espera de um convite pra dançar. E verdades não cabem entre quatro paredes.

Você pede um conhaque e me espera na mesa do bar. Perde o meu telefone, eu perco o juízo – e prevê todas as falas do meu roteiro. Tuas mão já sabem do encontro com as minhas, já marcaram encontro sem me avisar. Te olho do outro lado da rua, com frio, com sede. Comprimento uns amigos, finjo de forma impecável um sorriso no rosto e vou até você. um mar de histórias incontáveis começa – e acaba – numa fração de segundo, não me permite respirar, mas faz daquele instante o mais intenso de todos.

-       Bom lembrar de tudo, né?
-       Bom mesmo seria viver tudo de novo.

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