Um grito parou na garganta, entalou. Ele quer sair, mas não pode. Um pensamento voou na direção daquela garota, mas é algo proibido, é pecado pensar assim.
Embora exista a censura vindo de todos os lados, atrás das cortinas ela ainda consegue respirar e correr na direção do seu desejo. Ali, não existe calendário nem relógio, apenas a vontade de encontrá-lo.
Ele não tem nome sequer pedigree...
É um vira-lata, mas não um qualquer. É poeta, cronista, equilibrista e também ator. Ele vaga pela rua, e não esconde mais a saudade que sente dos momentos que viveu tal romance.
Ela não sabe disso, aliás, finge acreditar que seja verdade tal flerte. Sua face fica rubra, um sorriso largo se mostra presente, e sente medo do dia de amanhã. A cabeça dói, ela bebe a cachaça que sobrou da festa, já não tem pulmões para fumar, já não tem dinheiro para pagar a prestação e corre o risco de ser despejada.
Ele continua na estrada, dando passos largos e em certos momentos, dá uma olhadela para os lados para saber se ela o acompanha. Escondida, ela dá risada, mas só se revela nas entrelinhas dos contos que escreve para que ele entenda que isso, talvez, seja apenas um começo para uma longa viagem.
Com o tempo, fica cada vez mais forte, mais intenso. O coração dispara, os olhos mal se cruzam, mas quando os pensamentos se encontram, os dois conseguem dormir em paz.
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